Carta de uma paciente de dor crônica para o Papai Noel

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Querido Papai Noel,

Nos últimos três anos fui uma boa paciente, fui a todas as consultas médicas, sessões de fisioterapia, de acupuntura, tomei todos os remédios e nunca ganhei de Natal o que sempre lhe pedi: uma vida sem dor

Depois de muito matutar sobre o porquê da sua recusa em atender ao meu pedido, eu entendi o recado: percebi que a dor crônica faz parte da minha vida e assim será por algum tempo – e que não será o senhor, Papai Noel, quem poderá colocá-la num saco e levá-la pro Pólo Norte.

Por isso, desta vez, mudei a minha lista de pedidos. Não vou mais pedir a cura, e sim meios para lidar com a dor. Deixo abaixo meus singelos desejos:

1 – Saúde

Afinal, sem saúde a gente não consegue fazer nada, nem mesmo lutar contra a dor.

2 – Resiliência

Peço de presente a capacidade de lidar com os momentos de dor (sem surtar!) e perseverança para aceitar a dor como apenas uma sensação ruim e não como algo que me define.

3 – Controle sobre a dor

Também já aprendi que quando a dor te controla, você acaba vivendo em uma prisão. Então eu peço, Papai Noel, forças para me libertar.

4 – Bons drinks

Depois de dois anos tomando doses altíssimas de remédios que não controlavam minha dor, mas me impediam de beber, finalmente consegui convencer meu médico a mudar meu plano terapêutico para eu poder tomar uns drinks de vez em quando. Porque vinho é mais barato que terapia!

5 – Viagens, viagens e mais viagens

É impressionante como a dor desaparece enquanto estou viajando. Parece que meu cérebro encontra algo mais interessante e se esquece dela. Certamente é um “tratamento” para eu usar mais em 2017.

6 – Dinheiro

Ter dor crônica é caro!! Tem a fisioterapia, os remédios, os médicos… as viagens!!!

Resumindo, Papai Noel, já que é para eu ter que lidar com a dor crônica, que seja em Paris bebendo champanhe!

E pode deixar que continuarei sendo uma boa paciente em 2017!

Obrigada

Ana Luiza

Fonte: Chega de Dor

Sou Blogueira, motivada pelo diagnóstico da Artrite Reumatoide aos 26 anos, como profissional da enfermagem eu estava acostumada a lidar com a dor, porém, a dor dos outros e de repente a dor passou a ser minha companheira. Troquei o cuidar assistencial pelo cuidar informacional e escrevi o Blog Artrite Reumatoide, para compartilhar a minha dor, aprendi então, que Dor Compartilhada é Dor Diminuída.
Hoje sou “Patient Advocacy”, social media, graduanda do curso de jornalismo na FiamFaam, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde e uma eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.

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Sou Blogueira, motivada pelo diagnóstico da Artrite Reumatoide aos 26 anos, como profissional da enfermagem eu estava acostumada a lidar com a dor, porém, a dor dos outros e de repente a dor passou a ser minha companheira. Troquei o cuidar assistencial pelo cuidar informacional e escrevi o Blog Artrite Reumatoide, para compartilhar a minha dor, aprendi então, que Dor Compartilhada é Dor Diminuída.
Hoje sou “Patient Advocacy”, social media, graduanda do curso de jornalismo na FiamFaam, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde e uma eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.

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