Exercícios físicos melhoram ou pioram a síndrome da fadiga crônica? Entenda

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A síndrome de fadiga crônica (SFC) é uma condição caracterizada por um quadro de fadiga ou cansaço extremo que não pode ser explicado por qualquer condição médica subjacente. Uma característica da SFC é que o indivíduo não melhora com o repouso, permanecendo a dúvida se esse quadro poderia piorar com a atividade física ou mental.

A SFC também tem sido chamada de encefalomielite miálgica e, mais recentemente, doença de intolerância ao esforço sistêmico. Embora essas condições compartilhem o mesmo sintoma principal que é a fadiga crônica, há uma grande variação entre as definições desses distúrbios. Os sintomas são cansaço intenso que não melhora com repouso, perda de memória ou da concentração, dor crônica de garganta com aumento dos gânglios linfáticos no pescoço ou nas axilas, dores musculares e articulares sem causa aparente, dor de cabeça inespecífica e exaustão extrema que dura mais de 24 horas após um exercício físico ou mental.

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A causa da síndrome da fadiga crônica ainda é desconhecida, embora existam muitas teorias, desde infecções virais até o estresse físico e psicológico. Alguns especialistas acreditam que a síndrome da fadiga crônica pode ser desencadeada por uma combinação desses fatores.

Qual é a relação do sistema imune e dos hormônios com a SFC?

Existem evidências de que as vias de resposta imunológica e oxidativa desempenham um papel na fisiopatologia da síndrome da fadiga crônica. Existem também evidências de que a síndrome da fadiga crônica pode ser acompanhada por hipoatividade do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), como indicado por níveis baixos de glicocorticoides (cortisol).

O estudo de Morris mostram que a ativação de vias de inflamação imunológica levam ao aumento do fator de necrose tumoral ? (TNF- ?), respostas dos linfócitos T com elevação dos níveis de interleucina 10. Esse estudo evidencia que essa ativação imunológica crônica pode gerar alterações secundárias levando à hipoatividade do eixo HPA.

Exercício físico pode auxiliar no tratamento da SFC?

No estudo recente de Sandler foram examinadas as alterações sintomáticas da síndrome da fadiga crônica após um exercício aeróbico contínuo e com o exercício de alta intensidade de intervalo (HIIT). Para explorar novos formatos de exercício para as pessoas com SFC, foi necessário exacerbar os sintomas (de forma controlada) para entender a resposta dos pacientes ao exercício.

Neste estudo randomizado não foram encontradas diferenças estatísticas ou clinicamente significativas na exacerbação dos sintomas de fadiga entre as sessões de exercício físico contínuo ou intervalado (HIIT). Além disso, a falta de associação entre a frequência cardíaca mais elevada e a exacerbação da fadiga sugere que a frequência cardíaca por si só pode não ser o melhor guia para a exacerbação dos sintomas.

Assim, adaptações fisiológicas para tratar a fadiga crônica pode ser alcançada de forma mais eficiente com treinamentos de curta duração em especial o exercício intervalado (HIIT).

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Como diagnosticar e tratar a SFC?

Não há um teste único para confirmar um diagnóstico de síndrome da fadiga crônica. Você pode precisar de uma variedade de testes médicos para descartar outros problemas de saúde que têm sintomas semelhantes. O tratamento da síndrome da fadiga crônica concentra-se no alívio dos sintomas e deve ser multidisciplinar. A identificação e o tratamento de deficiências nutricionais pode contribuir para melhora do quadro, assim como um programa de exercícios físicos adequado, acompanhamento psicológico e médico especializado.

Referências:
1 – Morris G et al. Hypothalamic-Pituitary- Adrenal Hypofunction in Myalgic Encephalomyelitis (ME)/Chronic Fatigue Syndrome (CFS) as a Consequence of Activated Immune-Inflammatory and Oxidative and Nitrosative Pathways. Mol Neurobiol. 2016. DOI: 10.1007/s12035-016- 0170-2

2 – Sandler et al. Fatigue Exacerbation by Interval or Continuous Exercise in Chronic Fatigue Syndrome. Medicine & Science in Sports & Exercise. 2016 – Volume 48 – Issue 10 – p 1875–1885. DOI: 10.1249/MSS.0000000000000983

3 – Maes et al. Why myalgic encephalomyelitis/chronic fatigue syndrome (ME/CFS) may kill you: disorders in the inflammatory and oxidative and nitrosative stress (IO&NS) pathways may explain cardiovascular disorders in ME/CFS. Neuro Endocrinol Lett. 2009;30(6):677-93.

Fonte: Jornal Floripa

Sou Blogueira, motivada pelo diagnóstico da Artrite Reumatoide aos 26 anos, como profissional da enfermagem eu estava acostumada a lidar com a dor, porém, a dor dos outros e de repente a dor passou a ser minha companheira. Troquei o cuidar assistencial pelo cuidar informacional e escrevi o Blog Artrite Reumatoide, para compartilhar a minha dor, aprendi então, que Dor Compartilhada é Dor Diminuída. Hoje sou “Patient Advocacy”, social media, graduanda do curso de jornalismo na FiamFaam, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde e uma eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.

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