Uso de analgésicos pode prolongar dor crônica, diz estudo

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Um estudo inovador mostra que o uso de analgésicos baseados em ópio, alguns dos mais fortes e comuns, como a morfina, pode provocar um efeito contrário ao desejado, levando a uma intensificação da dor crônica a longo prazo.

O trabalho da Universidade do Colorado, nos EUA, foi publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). A pesquisa, realizada com camundongos, mostrou que alguns dias de tratamento com morfina causou dor crônica por vários meses ao estimular células da medula espinhal.

Os resultados da pesquisa podem ter implicações importantes para os humanos, dizem os cientistas.

De acordo com o estudo, uma lesão nervosa periférica em ratos manda uma mensagem das células nervosas danificadas às células imunológicas da medula espinhal chamadas células da glia (ou neuróglia), que normalmente dão suporte às funções do sistema nervoso. O primeiro sinal de dor ativa às células, que entram num “modo de alerta”, se preparando para mais ações.

“Parece que um botão foi apertado na medula espinhal e elas se ativam”, diz o professor Peter Grace, um dos líderes do estudo.

Quando o ferimento foi tradado com opioides por cinco dias, as células de glia entram em força máxima, gerando uma cascata de ações, incluindo inflamação da medula espinhal. Para a outra líder do estudo, professora Linda Watkins, o processo pode ser comparado com dois tapas.

“Quando bate em alguém uma vez, o primeiro tapa pode ser leve e passar sem problemas. Mas o segundo tapa provoca uma cadeia de ações. Aqui, a sequência de golpes, por assim dizer, faz com que as neuróglias explodam em movimento, fazendo muitas ações e impactando muito forte os neurônios de dor”, diz ela.

A equipe descobriu que os sinais originais da ferida, combinados com o tratamento com morfina causa essa cascata de ações e sinais. A cascata produz um sinal das células a partir da proteína interleucina 1 beta (ou IL-1b), que aumenta a atividade das células nervosas que respondem à dor na medula espinhal e no cérebro. Isso pode fazer com que a dor dure meses.

“São grande implicações para quem usa opioides como morfina, oxicodona e metadona, já que mostramos que a decisão à curto prazo para usar os medicamentos pode ter consequências devastadoras, com a dor ficando mais forte e durando mais. É um lado muito ruim do uso de opioides, e que ainda não conhecíamos”, diz a professora.

Os pesquisadores conseguiram utilizar drogas especiais para bloquear os receptadores nos neuróglicos que reconhecem os opioides. Isso pode ajudar a diminuir a dor, assim como prevenir problemas crônicos. Apenas em 2015, mais de 20 mil pessoas morreram nos EUA devido a overdose de receitas de analgésicos baseados em ópio.

Fonte: CRF/SC

Sou Blogueira, motivada pelo diagnóstico da Artrite Reumatoide aos 26 anos, como profissional da enfermagem eu estava acostumada a lidar com a dor, porém, a dor dos outros e de repente a dor passou a ser minha companheira. Troquei o cuidar assistencial pelo cuidar informacional e escrevi o Blog Artrite Reumatoide, para compartilhar a minha dor, aprendi então, que Dor Compartilhada é Dor Diminuída. Hoje sou “Patient Advocacy”, social media, graduanda do curso de jornalismo na FiamFaam, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde e uma eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.

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